A agenda de concessões, PPPs e privatizações planejadas no Brasil para o segundo trimestre do ano deve gerar pelo menos R$ 21,2 bilhões (US$4 bilhões) em investimentos, mesmo em meio à volatilidade provocada pelo conflito no Oriente Médio. Desde o início dos ataques dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã, no final de fevereiro, o mercado de capitais local e global tem passado por intensa volatilidade, à medida que investidores temem efeitos inflacionários do conflito.
Portanto, essa notícia reforça uma tendência importante de reconfiguração do papel do Estado na economia, com maior protagonismo da iniciativa privada em setores estratégicos. Esse movimento pode ser positivo ao destravar investimentos, acelerar obras e melhorar a eficiência de serviços públicos, especialmente em áreas como infraestrutura e mobilidade. No entanto, também exige atenção redobrada à qualidade dos contratos, à regulação e à capacidade de fiscalização do poder público, para evitar desequilíbrios, tarifas elevadas ou entrega aquém do esperado. Em um país com histórico de insegurança jurídica e desafios institucionais, o sucesso dessas iniciativas dependerá menos do volume anunciado e mais da execução consistente e transparente dos projetos anunciados.
