Antigamente, a desigualdade na Europa era, em grande parte, geográfica. A metade ocidental, mais rica, dirigia BMWs e passava as férias no exterior, enquanto o leste, mais pobre, fazia suas próprias instalações elétricas e fazia fila para comprar pão. Mas três décadas de crescimento de recuperação nos antigos países comunistas acabaram com as piadas sobre os carros romenos cuja velocidade máxima era “em descida”.
Hoje em dia, a desigualdade na Europa tem uma dimensão etária— que sobe e desce pelas árvores genealógicas. Jovens incapazes de sair do quarto de hóspedes dos pais devido aos preços altíssimos das moradias se perguntam se algum dia desfrutarão, como adultos, do estilo de vida que conheceram quando crianças.
Mesmo ajustados pela inflação, os preços das moradias na Europa subiram um quarto em apenas uma década, com os aluguéis também aumentando mais rápido do que os rendimentos. O resultado, além de fazer os baby boomers se sentirem gênios financeiros quando na verdade tiveram apenas sorte, é impedir que os jovens consigam comprar uma casa própria.
