O Brasil nunca esteve tão próximo da metade inferior do ranking de PIB per capita dos países para os quais o Fundo Monetário Internacional (FMI) faz projeções, e a expectativa é que o quadro se agrave. O país deve ter o 87º maior PIB per capita em paridade do poder de compra (PPC) este ano, segundo o FMI, e a previsão é que caia para a 89ª posição até o fim da década, após ter ocupado o 80º lugar no início dos anos 2010. Com isso, o Brasil se aproxima da metade inferior do ranking: este ano, nove posições o separam dos 50% com pior resultado, e essa diferença deve cair para seis até 2030.

Entendo que, historicamente marcado por desigualdade acentuada, o país sofre com a concentração de renda, má distribuição de oportunidades e dependência de commodities, o que torna sua economia especialmente vulnerável a crises externas. À crise fiscal séria e ao comprometimento dos cofres públicos somam-se a inflação persistente e a estagnação do crescimento econômico, o que corrói o poder de compra da população e reduz a eficácia de políticas sociais.

Além disso, percebo que as recorrentes crises políticas e diplomáticas e a precariedade institucional limitam a implementação de reformas profundas, como melhorias na educação, energia e infraestrutura. Esse círculo vicioso de baixo crescimento, alta desigualdade e governança frágil empurra o Brasil no ranking global de renda per capita, aproximando-o de países com condições socioeconômicas significativamente piores. Pensem que o PIB não vai subir sozinho, sem que o nosso Congresso faça as reformas necessárias para passar o país para a lista de cima do ranking. E no próximo ano, temos eleições nacionais, o que impõe ao eleitor o desafio de escolher candidatos que têm compromisso com essas mudanças.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *