O debate sobre o equilíbrio das contas públicas precisa estar no centro da agenda econômica do próximo governo. Henrique Meirelles, em recente entrevista ao Valor Econômico, afirmou que o Brasil precisará de um mecanismo de controle de gastos mais forte que o atual arcabouço fiscal. Para ele, reduzir de 2,5% para 1,5% o crescimento real das despesas ainda seria insuficiente e o país deveria recuperar princípios semelhantes aos do antigo teto de gastos.

A questão fiscal vai muito além de uma discussão contábil. Gastos públicos, trajetória da dívida, inflação, juros e capacidade de investimento estão diretamente relacionados. Quando a política fiscal perde força, o custo aparece no crédito, na confiança dos investidores e na capacidade do Estado de financiar políticas públicas e infraestrutura.

Brasil precisa voltar a discutir responsabilidade fiscal como política de Estado, com regras previsíveis, controle permanente das despesas e planejamento de longo prazo. Crescimento a longo prazo exige contas públicas sustentáveis.

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