A desaceleração do emprego em novembro não surpreendeu o mercado, mas chamou a atenção do governo para o fechamento de 27.135 vagas na indústria, segundo dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged). Apesar do desempenho ruim do setor, o saldo nacional foi positivo, com abertura líquida de 85.864 vagas com carteira assinada em novembro, puxada pelo comércio (78,2 mil vagas) e pelos serviços (75,1 mil).
Apesar dos números absolutos mostrarem um saldo positivo de cerca de 85 mil empregos formais criados em novembro de 2025, esse resultado representa uma desaceleração no ritmo de geração de vagas, sendo o pior novembro desde 2020 e inferior ao mesmo mês de 2024 — o que evidencia enfraquecimento na dinâmica de contratação mesmo em um cenário de taxa de desemprego baixa. Na prática, isso levanta questões importantes: muitas das vagas criadas estão concentradas em setores como comércio e serviços, enquanto segmentos como indústria e agricultura ainda refletem fragilidades, e os números gerais ficam aquém do potencial de absorção da força de trabalho. Essa baixa geração relativa de empregos pode sinalizar preocupações estruturais, como a dificuldade de manter o crescimento sustentável do mercado de trabalho e de promover inclusão produtiva ampla, o que exige políticas públicas mais eficazes e um ambiente econômico que estimule investimentos e a criação de emprego de qualidade no Brasil. Já vimos essa história antes.
