Apesar do crescente despertar para a crise climática, com eventos naturais extremos acontecendo cada vez mais frequentemente, apenas uma minoria de contratos de concessão ou Parceria Público-Privada na área de infraestrutura já estão considerando cláusulas relacionadas ao conceito de “resiliência climática”, que é a capacidade de cidades e comunidades se adaptarem aos impactos das mudanças do clima. Segundo o estudo “Infraestrutura Resiliente – Análise de Contratos de Concessão e PPPs”, feito pelo Instituto Clima e Sociedade (iCS) em parceria com a consultoria especializada Radar PPP, de uma amostra de 20 projetos de concessão e PPPs assinados entre 2023 e 2025 em 12 segmentos diferentes, apenas cinco contratos apresentaram avanços concretos na incorporação da resiliência em suas cláusulas.
Vejo como preocupante que poucas concessões e parcerias público-privadas (PPPs) considerem a resiliência climática em seus projetos, especialmente diante da crescente frequência de eventos extremos e das mudanças ambientais globais. Ignorar esse aspecto significa comprometer a durabilidade das obras, o uso eficiente dos recursos e, principalmente, a segurança das populações envolvidas. Investimentos públicos e privados precisam incorporar critérios de adaptação e mitigação climática desde o planejamento, sob pena de gerar custos futuros muito maiores. A resiliência climática não deve ser vista como um obstáculo burocrático, mas como um componente estratégico para garantir que as infraestruturas do presente suportem os desafios ambientais do futuro.
